quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

APLICAÇÃO DA MEDIUNIDADE

Introdução:

O que é uma reunião mediúnica? E como deve se realizar?

Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são o resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for (LM c. 29 it. 331).

As reuniões espíritas são compromissos graves assumidos perante a consciência de cada um, regulamentados pelo esforço, pontualidade, sacrifício e perseverança dos seus membros. Somente aqueles que sabem perseverar, sem postergarem o trabalho de edificação interior, se fazem credores da assistência dos Espíritos interessados na sementeira da esperança e da felicidade na Terra - Programa sublime presidido por Jesus das Altas Esferas. Nas reuniões sérias, os seus membros não podem compactuar com a negligência aos deveres estabelecidos em prol da ordem e da harmonia, para que a infiltração dos Espíritos infeliz não as transforme em celeiros de balbúrdia, em perfeita conexão com a desordem e o caos. (Nos Bastidores da Obsessão – pág 45 de Manoel Philomeno de Miranda).



Ä Faculdade Maleável.

Sendo a mediunidade a faculdade que possibilita ao individuo encarnado relacionar-se com as entidades desencarnadas, captar os seus pensamentos e sentimentos e transmiti-los aos outros, bem como perceber coisas além dos limites físicos, próprios do mundo espiritual, ela não representa em si mesma nenhum mérito de quem a possui, porque o seu aparecimento independe da formação moral do indivíduo.

Desta forma, pessoas sem formação moral podem apresentar a faculdade mediúnica e sempre encontrarão entidades espirituais que lhes secundem a vontade e o pensamento, associando-se a elas na rede de desequilíbrio.

Possuir a faculdade mediúnica não é motivo, portanto, nem de orgulho nem de vaidade, nem tampouco de santificação de quem quer que seja... O que a pessoa realizar com a sua faculdade mediúnica, pode ser motivo de nosso respeito ou de nossa reprovação; pode ser conforme os desígnios superiores da Lei de Equilíbrio, de Amor e de Justiça ou não; pode estar de acordo com o que preceitua o Espiritismo ou não.

Assim, pelo despreparo para a pratica mediúnica equilibrada e pelo desinteresse pelo conhecimento e, ainda, por apresentarem fraquezas morais, muitos se deixam envolver pela obsessão e se vêem em dificuldades sem conta quando pretendem recompor-se e seguir no verdadeiro caminho de sua reabilitação moral.

Muitos outros, maravilhados com o fenômeno mediúnico, esquecem que ele é meio, é via para atingir o fim, o qual é o esclarecimento da criatura humana com a sua conseqüente transformação moral e se deixam levar para o profetismo, para o experimentalismo, para o guiísmo, numa dependência total, a ponto de não mais decidirem o que lhes compete sem antes fazerem uma consulta aos Espíritos.

Há outros ainda, que, além de serem envolvidos pelos elogios fáceis, pela bajulação, começam a fraquejar e receber pequenos obséquios, pequenos favores materiais, discretas lembrancinhas, e por fim caem num mercenarismo barato que os inutiliza. Registre-se que não precisa ser o médium quem seja diretamente beneficiado com o movimento financeiro que se faça em seu derredor para que tal ação seja encarada com muito cuidado por nós.

Os Espíritos amigos tentam por inúmeras maneiras esclarecer, orientar e despertar o médium para os perigos da utilização de sua mediunidade sem os critérios cristãos, mas se este se nega a acolher os alvitres salutares, contínuas displicente com o lado moral da aplicação de sua faculdade, eles simplesmente se afastam, deixando o caminho livre aos Espíritos que sintonizam com tal modo de pensar e proceder.

As pessoas que possuem a faculdade mediúnica em níveis mais intensos estão mais sujeitas as influenciações devido à facilidade de sintonia com os Espíritos. Maior cuidado, pois, deverão ter com as companhias espirituais que elegem para a sua vida diária.

A mediunidade sendo uma faculdade maleável, tanto serve como instrumento do bem quanto do mal, de elevação quanto de queda, de construção quanto de derrocada, dependendo unicamente do modo como se comporta aquele que a possui.

As pessoas que possuem a faculdade mediúnica em níveis mais intensos estão mais sujeitas as influenciações devido à facilidade de sintonia com os Espíritos. Maior cuidado, pois, deverão ter com as companhias espirituais que elegem para a sua vida diária.

Ä Preparo Doutrinário.

A mediunidade sendo inerente ao ser humano pode aparecer em qualquer pessoa, independente da doutrina religiosa que abrace. Assim é que grandes vultos foram consagrados pelas doutrinas religiosas católicas e protestantes em seus vários ramos, por apresentarem fenômenos inusitados, que fugiam a qualquer consideração humana, fenômeno que ultrapassavam a craveira comum. Daí serem eles considerados santos, profetas, missionários, etc.

Por outro lado, são incontáveis os casos de pessoas ligadas a outras religiões ou sem qualquer principio religioso, ou mesmo, ditas Espíritas, que se encontram envolvidas em processos de obsessão crucial, sofrendo a conseqüência da influenciação espiritual, sendo tratadas como doentes ou de um tratamento salvador.

A mediunidade então será um bem ou um mal?

A mediunidade é uma faculdade inerente ao espírito humano, e tal como outras faculdades surgem na criatura independentemente de seu estado de elevação moral, mas está sujeita à vontade e à diretriz que o seu possuidor lhe der, podendo se transformar em caminho de redenção ou de sofrimento inomináveis. Por ser um instrumento, o resultado de sua aplicação sempre depende de nossa orientação.

"À humanidade seria facultado um poderoso elemento de renovação, se todos compreendessem que há, acima de nós, um inesgotável manancial de energia, de vida espiritual, que se pode atingir por gradativo adestramento, por constante orientação do pensamento e da vontade no sentido de assimilar as suas ondas e radiações, e com o seu auxilio desenvolver as faculdades que em nós jazem latentes".

"A aquisição dessas forças nos abroquela contra o mal, nos coloca acima dos conflitos materiais e nos torna mais firmes no cumprimento do dever. Nenhum dentre os bens terrenos é comparável à posse desses dons. Sublimados a seu mais alto grau, fazem os grandes missionários, os renovadores, os grandes inspirados".

"Como podemos adquirir esses poderes, essas faculdades superiores? Descerrando nossa alma, pela vontade e pela prece, às influencias do Alto. Do mesmo modo que abrimos as portas da nossa casa, para que nela penetrem os raios do Sol, assim também por nossos impulsos e aspirações podemos franquear aos eflúvios celestes o nosso" ego "interior".

"Em Espiritismo, a questão de educação e adestramento dos médiuns é capital; os bons médiuns são raros – diz-se muitas vezes, e a ciência do invisível, privada de meios de ação, só com muita lentidão vem a progredir".

"Quantas faculdades preciosas, todavia, não se perdem, a mingua de atenção e cultura! Quantas mediunidades malbaratadas em frívolas experiências, ou que, utilizadas ao sabor do capricho, não atraem mais que perniciosas influencias e só maus frutos produzem! Quantos médiuns inconscientes de seu ministério e do valor do dom que lhes é outorgado deixam inutilizadas forças capazes de contribuir para a obra de renovação!".

"A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exigem o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem faze-la produzir frutos prematuros, e desde logo se estiola e fana ao contacto dos Espíritos atrasados".

"È preciso que, ao menos, o médium, compenetrado da utilidade e grandeza de sua função, se aplique a aumentar seus conhecimentos e procure espiritualizar-se o mais possível, que se reserve horas de recolhimento e tente então, pela visão interior, alçar-se até às coisas divinas, à eterna e perfeita beleza. Quanto mais desenvolvido for nele o saber, a inteligência, a moralidade, mais apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do Espaço".

"... Os dons psíquicos, desviados de seu eminente objetivo, utilizado para fins de interesses medíocres, pessoais e fúteis, revertem contra os seus possuidores, atraindo-lhes, em lugar dos gênios tutelares, as potencias malfazejas do Além".

"Fora das condições de elevação de pensamento, de moralidade e desinteresse, pode a mediunidade constituir-se um perigo; ao passo que tendo por fim firme propósito no bem, por suas aspirações ao ideal divino, o médium se impregna de fluidos purificados; uma atmosfera protetora se forma em torno dele, o envolve, o preserva dos erros e das ciladas do invisível".

"E se, por sua fé e comprovado zelo, pela pureza dalma em que nenhum calculo interesseiro se insinue, obtém ele a assistência de um desses Espíritos de luz, depositários dos segredos do Espaço, que pairam acima de nós e projetam sobre a nossa fraqueza as suas irradiações; se esse Espírito se constitui seu protetor, seu guia, seu amigo, graças a ele sentirá o médium uma força desconhecida penetrar-lhe todo o ser, uma chama lhe iluminar a fronte. Todos quantos tomarem parte em seus trabalhos, e colherem os seus resultados, sentirão reanimar-se-lhes o coração e a inteligência às fulgurações dessa alma superior; um sopro de vida lhes transportará o pensamento às regiões sublimes do Infinito". (No Invisível, 1.ª parte, Cap. V).

O preparo doutrinário para o médium significa iluminação do caminho, dando-lhe roteiro mais seguro e de mais fácil acesso, afastando-o das enganosas ilusões e das armadilhas preparadas pelos inimigos do bem e da luz.

"O médium forjado no preparo doutrinário que o Espiritismo oferece, não se torna somente melhor médium, mas, principalmente, melhor cristão".

Ä Evangelização Espiritual.

No aprendizado mediúnico o que deve prevalecer, para aquele que realmente deseja se transformar em instrumento valioso nas mãos sábias dos Espíritos do Senhor é o preparo espiritual conveniente de acordo com as normas do Evangelho de Jesus.

Sem a arma da virtude conquistada palmo a palmo, lágrima a lágrima, seremos instrumentos inermes e sujeitos a servirmos de mediadores da treva e do mal. Quais flores infecundas brilharão somente um dia, para depois sermos arrancados da situação vaidosa em que nos colocamos pelos ventos da provação nos confundindo no pó e na lama. Porém, se formos flores fecundadas pelo amor aos ensinamentos do Sublime Pastor, resistiremos aos ventos da adversidade, às tempestades, e nos transformaremos no fruto saboroso e nutriente, pronto a servir aos famintos e desesperançados do caminho.

"As bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e encarnados, repousam na mente, não obstante as possibilidades de fenômenos naturais, no campo da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente consagrado à caridade sacrificial".

"De qualquer modo, porém, é no mundo mental que se processa a gênese de todos os trabalhos da comunhão de espírito a espírito".

"Daí procede à necessidade de renovação idealística, de estudo, de bondade operante e de fé ativa, se pretendemos conservar o contacto com os Espíritos da Grande Luz".

"Simbolizemos nossa mente como sendo uma pedra inicialmente burilada. Tanto quanto a do animal, pode demorar-se, por muitos séculos, na ociosidade ou na sombra, sob a crosta dificilmente permeável de hábitos nocivos ou de impulsos degradantes, mas se a expomos ao sol da experiência, aceitando os atritos, as lições, os dilaceramentos e as dificuldades do caminho por golpes abençoados do buril da vida, esforçando-nos por aperfeiçoar o conhecimento e melhorar o coração, tanto quanto a pedra burilada reflete a luz, certamente nos habilitamos a receber a influencia dos grandes gênios da sabedoria e do amor, gloriosos expoentes da imortalidade vitoriosa, convertendo-nos em valiosos instrumentos da obra assistencial do Céu, em favor do reerguimento de nossos irmãos menos favorecidos e para a elevação de nós mesmos às regiões mais altas".

"A fim de atingirmos tão alto objetivo é indispensável traçar um roteiro para a nossa organização mental, no Infinito Bem, e a segui-lo sem recuar".

"Precisamos compreender – repetimos – que os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual".

"Atraímos companheiros e recursos, de conformidade com a natureza de nossas idéias, aspirações, invocações e apelos".

"Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros".

"Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar".

"Semelhante lei de reciprocidade impera em todos os acontecimentos da vida".

"Comunicar-nos-emos com as entidades e núcleos de pensamentos, com os quais nos colocamos em sintonia".

"Nos mais simples quadros da natureza, vemos manifestado o principio da correspondência".

"Um fruto apodrecido ao abandono estabelece no chão um foco infeccioso que tende a crescer, incorporando elementos corruptores".

"Exponhamos a pequena lâmina de cristal, limpa e bem cuidada, à luz do dia, e refletirá infinitas cintilações do Sol".

"Andorinhas seguem a beleza da primavera".

"Corujas acompanham as trevas da noite".

"O mato inculto asila serpentes".

"A terra cultivada produz o bom grão".

"Na mediunidade, essas leis se expressam, ativas".

"Mentes enfermiças e perturbadas assimilam as correntes desordenadas do desequilíbrio, enquanto que a boa vontade e a boa intenção acumulam os valores do bem".

"Ninguém está só".

"Cada criatura recebe de acordo com aquilo que dá".

"Cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que se situa a própria felicidade".

"Estejamos, assim, convictos de que os nossos companheiros na Terra ou no Além são aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo o antigo ensinamento evangélico" teremos nosso tesouro onde colocarmos o coração ". (Roteiro – Cap. 28)".

Desta forma, ninguém espere alcançar a condição de médium do bem e da luz sem se incorporar definitivamente no clima do Evangelho do Mestre e Senhor Jesus.

ÄBibliografia: (Nos Bastidores da Obsessão – pág 45 de Manoel Philomeno de Miranda). Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, "Palavras de Vida Eterna", Cap. 42; idem, "O Consolador", Questões 383 e 384. (No Invisível, 1.ª parte, Cap. V). Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, "Palavras de Vida Eterna, Cap. 122; idem, idem", Religião dos Espíritos, Cap. 16; idem, idem, "O Consolador. Questão, nº 242". Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, "Palavras de Vida Eterna", Cap. 42 e 43: Idem, idem, "O Consolador" Questões 409/410; Idem, idem, "Roteiro", Cap. 28. Aulas Teóricas Práticas da Apostila nº 10 do Coem.

1 comentário:

Francisco Amado disse...

Venha conhecer um blog que tem artigos, filmes e documentários espiritas e precisa ser divulgado.