segunda-feira, 24 de março de 2008

Curso de Introdução à Doutrina Espírita - Cap. 2º. As Três Revelações

Cap. 2º. As Três Revelações
2.1 - Introdução
Revelar significa, literalmente, sair sob o véu, e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.
A característica essencial de qualquer revelação tem de ser a verdade. Revelar o segredo é tornar conhecido um facto; se é falso, já não é um facto e, por consequência, não existirá revelação.
No sentido especial da fé religiosa, a revelação se refere, mais particularmente, das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos, e cujo conhecimento lhe dá Deus através dos Seus mensageiros, quer por meio da palavra directa, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens predispostos, designados sob o nome de
profetas ou messias.
Todas as religiões tiveram os seus reveladores, e estes, embora longe estejam de conhecer toda a verdade, tinham uma razão de ser providencial, porque eram apropriados ao tempo e ao meio em que viviam, ao carácter particular dos povos a quem falavam, e aos quais, eram relativamente superiores.
Allan Kardec [GEN-cap I] assevera-nos que três foram as grandes revelações da Lei de Deus:
a primeira representada por Moisés;
a segunda por Jesus;
e a terceira e última revelação pelo Espiritismo.
Em [O Consolador], o benfeitor Emmanuel tange ao tema da seguinte forma:
"Até agora a Humanidade da era cristã recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor e o Espiritismo, na sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade."



2.2 - Primeira Revelação: Moisés
Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único e soberano Senhor e orientador de todas as coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem, Moisés foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé, purificando-se, havia de se espalhar por toda a Terra.
Emmanuel nos diz:
"Moisés trazia consigo as mais elevadas faculdades mediúnicas, apesar das suas características de legislador humano. É inconcebível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o espírito de Deus. Estais, porém habilitados a
compreender que a Lei, ou a base da Lei (os Dez Mandamentos), foi-lhe ditada pelos emissários de Jesus.
Examinando-se os seus actos enérgicos de homem, há ainda que considerar as características da época em que se verificou a sua grande tarefa. Com expressões diversas, o grande enviado não poderia dar conta exacta das suas preciosas obrigações,
em face da Humanidade ignorante e materialista."


2.2.1 - A Lei Mosaica
Existem duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida pelo próprio Moisés. Uma é invariável; a outra é apropriada aos costumes e ao carácter do povo e modifica-se com o tempo.
A primeira, é lei de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um carácter divino.
A segunda, foi criada pelo missionário para manter o temor de um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão do Egipto.
André Luiz, referindo-se à parte divina da Lei Mosaica, diz-nos:
"Os Dez Mandamentos recebidos mediunicamente pelo profeta, brilham ainda hoje por alicerce de luz na edificação do Direito, dentro da ordem social."

O Decálogo ou os dez mandamentos
1. Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no Céu, e do que há em baixo na terra, nem de coisa que haja nas águas, debaixo na terra. Não andarás, nem lhes darás culto.

2. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.

3. Lembra-te de santificar o dia de sábado.

4. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a Terra.

5. Não matarás.

6. Não cometerás adultério.

7. Não furtarás.

8. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

9. Não desejarás a mulher do próximo.

10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.
Fonte: [ESE-cap I]

2.3 - Segunda Revelação: Jesus
A segunda grande revelação da Lei de Deus, na concepção de Kardec, foi apresentada por Jesus.
Segundo o benfeitor André Luiz [Evolução em Dois Mundos]:
"Com Jesus, a religião, como sistema educativo, alcança eminência inimaginável. Nem templos de pedras, nem rituais. Nem hierarquias efémeras, nem avanço ao poder humano. O Mestre desaferrolha as arcas do conhecimento enobrecido e distribui-lhe os tesouros."
Allan Kardec, examinando a Revelação Cristã, lembra que "O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem depois da morte."
Acrescenta Kardec que a filosofia cristã estava sedimentada numa concepção inteiramente nova da Divindade. Esta já não era mais a concepção de um Deus terrível, ciumento, vingativo, como O apresentava Moisés, mas um Deus clemente, soberanamente bom e justo, cheio de mansidão e misericórdia, que perdoa ao vicioso e dá a cada um segundo as suas obras. Enfim, já não é o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado.

2.3.1 - Quem é Jesus?
Lembra-nos o Espírito Emmanuel, que "De forma alguma poderíamos fazer um estudo minucioso da psicologia de Jesus, por nos faltar maturidade espiritual para tanto."
No entanto, a respeito do Messias, sabe-se que foi Ele o Enviado de Deus, a representação do Pai junto ao rebanho de filhos transviados do seu amor e da sua sabedoria. Director angélico do orbe terreno,
acompanhou todo o processo de formação da Terra, o primórdio da vida no planeta, e vem seguindo, com a mais extremada atenção, a todos os espíritos que vinculados a este orbe.
Mostra ainda Emmanuel que Jesus não pode ser compreendido como um simples filósofo, tendo-se em conta os valores divinos da sua hierarquia espiritual, conseguidos à custa de inumeráveis encarnações em mundos, hoje já inexistentes.
Esteve encarnado no nosso planeta uma única vez, e tornou-se, na expressão do Codificador, o "modelo e guia para a humanidade", haja vista ter sido Jesus o único Espírito Puro a envolver-se na materialidade da Terra.

2.3.2 - Os Evangelhos
A Mensagem Cristã encontra-se distribuída nos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), nas Epístolas apostólicas, nos Actos dos Apóstolos e no Apocalipse de João.
Uma análise crítica dos Evangelhos e das Cartas Apostólicas, leva-nos, naturalmente, ao encontro de algumas passagens pouco aceitáveis, ilógicas ou até mesmo absurdas: "A tentação no deserto", "A expulsão dos vendilhões do templo" e muitos pensamentos colocados na boca de Jesus, não resistem a uma análise racional por se encontrarem em evidente contradição com os mais elementares princípios da lógica, da justiça e da caridade.
Estes desencontros evangélicos em nada desmerecem a obra, que é, segundo Kardec, "código universal da moral", mas despertam a nossa atenção para alguns detalhes vinculados a ela:

a) As Adulterações Involuntárias: Jesus nada escreveu. Acredita-se que as primeiras anotações tenham surgido muito tempo depois da sua morte. Marcos, Lucas e Paulo não chegaram a conhecer o Messias e, portanto, colheram e reuniram informações de outras fontes. Todos essas evidências levam-nos a acreditar que determinadas colocações apresentadas nos Evangelhos não correspondem à realidade absoluta dos
factos. Certamente, ocorreram adulterações involuntárias.

b) Os Enxertos dos Evangelistas: analisando com atenção os evangelhos, notamos, que uma preocupação básica ocupava a mente dos evangelistas: provar que Jesus era de facto o Messias aguardado pelos judeus. Para que a Mensagem cristã viesse a vingar na Palestina, esta ideia deveria prevalecer. Acredita-se então, que algumas passagens da Boa Nova não ocorreram realmente, mas foram acrescentadas às anotações com esse mesmo objectivo. "O nascimento de Jesus em Belém", "a hipotética viagem ao Egipto", a "Tentação no deserto" e muitas outras passagens teriam sido enxertadas para provar a tese de que Jesus era o Salvador dos Judeus, o Enviado de Jeová.

c) As Adulterações Posteriores da Igreja: muitas anotações verificadas nos textos bíblicos de hoje não são identificadas nas versões originais, mostrando que foram acrescentadas posteriormente. Para justificar certos dogmas, alguns sacramentos e determinadas práticas religiosas, certos representantes da Igreja, ainda nos primeiros séculos da era Cristã, acrescentaram aos textos originais ideias, princípios e passagens que na realidade não ocorreram.

2.4 - Terceira Revelação: Espiritismo
Allan Kardec apresenta o Espiritismo como sendo a Terceira Revelação da Lei de Deus, o Consolador prometido aos homens por Jesus, conforme anunciado por [João-XIV:15-17,26]:
"Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai e Ele vos
dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. - Mas o Consolador, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito."
Kardec, examinando o tema, afirma:
"O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos porque ele fala sem figuras e alegorias."
Da mesma maneira que Jesus não veio destruir a lei mosaica, apresentada 15 séculos antes Dele por Moisés, assim também o Espiritismo não vem derrogar a lei cristã mas sim completá-la, desenvolvê-la, enriquecê-la.
Nesse sentido, o Espiritismo se propõe a revelar tudo aquilo que Jesus não pode dizer àquela época em função da pouca maturidade espiritual de sua gente. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside e o acompanha, objectivando a recuperação moral da humanidade.

2.4.1 - O Carácter da Revelação Espírita
Do ponto de vista de uma revelação religiosa, o Espiritismo apresenta algumas características particulares:
• Estruturação Colectiva
A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum; as duas primeiras foram individuais, a terceira colectiva; aí está um carácter essencial de grande importância. Ela é colectiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio a pessoa alguma; ninguém, por consequência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi espalhada simultaneamente, por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa até a mais
alta da escala.
Lembra Kardec:
"Que as duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco; mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada num só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação."
• Origem Humano- Espiritual
Surgindo o Espiritismo numa época de emancipação e madureza espiritual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem nada aceita às cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa - tinha ela de ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame. Assim sendo, os Espíritos propõem-se a ensinar somente aquilo que é mister para guiar o homem no caminho da verdade,
mas se abstêm de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe, a ele, aproveitá-los e pô-los em obra.
O Espiritismo, portanto, tem uma dupla origem: espiritual, pois a sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos Superiores preparados para este mister; e nesse sentido ele é uma revelação.
Mas tem também uma origem humana, pois foi e continua sendo enriquecido, trabalhado e burilado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no aperfeiçoamento da obra.

• Carácter Progressivo
Um último carácter da revelação espírita é que, apoiando-se em factos, tem de ser, essencialmente progressiva como todas as ciências de observação. Por sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da natureza com relação a certa ordem de factos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis.
O Espiritismo pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas.
Kardec, a respeito desse carácter, emite vários pensamentos notáveis:
"Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará." [GEN-cap I,it 55]
"A melhor religião será a que melhor satisfaça à razão e às legítimas aspirações do coração e do espírito; que não seja em nenhum ponto desmentida pela ciência positiva, que em vez de se imobilizar, acompanhe a humanidade em sua marcha
progressiva, sem nunca deixar que a ultrapassem." [GEN-cap XVII,it 32]
"Se uma nova lei for descoberta, tem a Doutrina Espírita que se por de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicos ou metafísicos, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das
principais garantias da sua perpetuidade."
[OP- 2ª parte]
Bibliografia e referências
a) [ESE] O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
b) [GEN] A Génese - Allan Kardec
c) [OP] Obras Póstumas - Allan Kardec
d) A Caminho da Luz - Emmanuel/Chico Xavier
e) O Consolador - Emmanuel/Chico Xavier
f) Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier - Waldo Vieira
g) Cristianismo e Espiritismo - Leon Denis
h) Cristianismo: A mensagem esquecida - Hermínio Miranda

1 comentário:

Henrique Tudor disse...

Olá fins amigos condutores e partidários da doutrina espírita.
Chamo-me Henrique Lima da Silva.
Sou estudante da doutrina espírita.

E com minhas filosofias aprendi que a vida é como se fosse uma escola, o homem criou a "escola" porque trazia-lhe consigo, algo espiritual que sabia que o homem passava por algo igual aquilo.

E veio a nescessidade de criar a escola.

Como assim?
Na vida se nós erramos,ou não opitamos por um bom caminho, nós voltamos a terra após algum tempo, e retornaremos a nossa missão.
Temos isso como exêmplo a "reprovação" e ter de voltar as aulas para pagar aquele ano perdido.

O objetivo de Deus é que todos estejamos perto dele, e trabalhando ajudando outros irmãos nossos junto a ele.

E não que quando nós morremos se formos bons iremos para o "céu" ou se formos ruins iremos para o "inferno"

Deus não tem pressa...

E eu que a pouco dias fiz 18 anos de idade, se fosse um pai agora, e ensinasse tudo para o meu filho e mesmo assim ele viesse a me negar, ou até mesmo a tentar me apunhalar.
E outrora ele viesse a cair num buraco e precisasse de minha ajuda, eu o ajudaría.

Isso por que sou um ser humano e estou no plano "Espiritual"

O que dirá Deus, se é ele o espírito mais "evoluído" que o ser humano possa ter.