sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Centro Espirita

Introdução
Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais activo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e, portanto, fanáticos, desligados da realidade imediata.
Dizia o Dr. Souza Ribeiro, de Campinas, nos últimos tempos de sua vida de lutas espíritas: “Não compareço a reuniões de espíritas rezadores!” E tinha razão, porque nessas reuniões ele só encontrava turba dos pedintes, suplicando ao Céu ajuda.
Ninguém estava ali para aprender a Doutrina, para romper a malha de teia de aranha do igrejismo piedoso e choramingas. A domesticação católica e protestante criara em nossa gente uma mentalidade de rebanho. O Centro Espírita tornou-se uma espécie de sacristia leiga em que padres e madres ignorantes indicavam aos pedintes o caminho do Céu. A caridade esmoler, fácil e barata, substituiu as gordas e faustosas doações à Igreja. Deus barateara a entrada do Céu, e até mesmo os intelectuais que se aproximam do Espiritismo e que têm o senso crítico, se transformam em penitentes. Associações espíritas, promissoramente organizadas, logo se transformam em grupos de rezadores pedinchões. O carimbo da igreja marcou fundo a nossa mentalidade em penúria. Mais do que subnutrição do povo, com seu cortejo trágico de endemias devastadoras, o igrejismo salvacionista depauperou a inteligência popular, com o seu cortejo de carreirismo político-religioso, idolatria mediúnica, misticismo larvar, e o que é pior, aparecimento de uma classe dirigente de supostos missionários e mestres farisaicos, estufados de vaidade e arrogância. São os guardiães dos apriscos do templo, instruídos para rejeitar os animais sacrificiais impuros, exigindo dos beatos a compra de oferendas puras nos apriscos sacerdotais.
Essa tendência mística popular, carregada de superstições seculares, favorece a proliferação de pregadores santificados, padres vieiras sem estalo, tribunos de voz empostada e gesticulação ensaiada. Toda essa carga morta esmaga o nosso movimento doutrinário e abre as suas portas para a infestação do sincretismo religioso afro-brasileiro, em que os deuses ingénuos da selva africana e das nossas selvas superam e absorvem os antigos e cansados deus cristãos. Não no clima para o desenvolvimento da Cultura Espírita.
As grandes instituições Espíritas Brasileiras e as Federações Estaduais investem-se por vontade própria de autoridade que não possuem nem podem possuir, marcadas que estão por desvios doutrinários graves, como no caso do roustainguismo da FEB e das pretensões retrógradas de grupelhos ignorantes de adulterados. Teve razões de sobra André Dumas, do Espiritismo Francês, em denunciar recentemente, em entrevista à revista Manchete, a situação católica e na verdade de anti-espírita do Movimento Espírita brasileiro. A domesticação clerical dos espíritas ameaça desfibrar todo o nosso povo, que por sua formação igrejeira tende a um tipo de alienação esquizofrênica que o Espiritismo sempre combateu, desde a proclamação de fé racional sempre no Kardec, contra a fé cega e incoerente, submissa e farisaica das pregações igrejeiras.
Jesus ensinou a orar e vigiar, recomendou o amor e a bondade, pregou a humanidade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias, santidade fingida, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno. Para restabelecemos a verdade espírita entre nós e reconduzirmos o nosso movimento a uma posição doutrinária digna e coerente, é preciso compreender que a Doutrina Espírita é um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, ambos conjugados em face das exigências da lei superior da Evolução Humana. Só nos aproximaremos da Angelitude, o plano superior da Espiritualidade, depois de nos havermos tornado Homens.
Os espíritas actuais, na sua maioria, tanto no Brasil como no mundo, não compreenderam ainda que estão num ponto intermediário da filogénese da divindade. Superando os reinos inferiores da Natureza, segundo o esquema poético de Léon Denis, na sequência divinamente fatal de Kardec: mineral, vegetal, animal e homem, temos o ponto neutro de gravidade entre duas esferas celestes, e esse ponto é o que chamamos ESPÍRITA. As visões fragmentárias da Realidade fundem-se dialecticamente na concepção monista preparada pelo monoteísmo. Liberto, no ponto neutro, da poderosa reação da Terra, o espírita está em condições de se elevar ao plano angélico. Mas estar em condições é uma coisa, e dar esse passo para a divindade é outra coisa. Isso depende do grau de sua compreensão doutrinária e da sua vontade real e profunda, que afecta toda a sua estrutura individual. Por isso mesmo, surge então o perigo da estagnação no misticismo, plano ilusório da falsa divindade, que produz as almas viajantes de Plotino, que nada mais são do que os espíritos errantes de Kardec. Essas almas se projectam no plano da Angelitude, mas não conseguem permanecer nele, cedendo de novo a atracção terrena da encarnação. Muitas vezes repetem a tentativa, permanecendo errantes entre as hipóstases do Céu e da Terra. Plotino viu essa realidade na intuição filosófica e na vidência platónica. Mas Kardec a verificou nas suas pesquisas espíritas, escudadas na observação racional dos factos. Apoiados na Razão, essa bússola do Real, ele nos livrava dos psicotrópicos do misticismo, oferecendo-nos a verdade exacta da Doutrina Espírita. Nela temos a orientação precisa e segura dos planos ou hipóstases superiores, sem o perigo dos ciclos muitas vezes repetidos do chamado Círculo Vicioso das Reencarnações, que os ignorantes pretendem opor à realidade incontestável da reencarnação. Pois se existe esse círculo vicioso, é isso bastante para provar o processo reencarnatório. O vício não está no processo, mas na precipitação dos homens e dos espíritos não devidamente amadurecidos, que tentam forçar a Porta do Céu.
Se no Brasil sofremos os prejuízos dos religiosismo ingénuo de nossa formação cultural, na França e nos demais países europeus – segundo as próprias declarações de André Dumas – o prejuízo provém de um cientificismo pretensioso, que despreza a tradição francesa da pesquisa científica espírita, procurando substituí-la pelas pesquisas e interpretações parapsicológicas. Esse menosprezo pedante pelo trabalho modelar de Kardec levou o próprio Dumas a desrespeitar a tradição secular da Revue Spirite, transformando-a num simulacro da revista científica do Ano 2.000. As pesquisa da parapsicologia seguiram o esquema de Kardec e foram cobrindo no tempo, sucessivamente, todas as conquistas do sábio francês. Pegada por pegada, Rhine e seus companheiros cobriram o rastro científico de Kardec. O mesmo já acontecera com Richet na metapsíquica, com Crookes e Zollner e todos os demais.
Toda a pesquisa psíquica honesta é válida, nesse campo, até mesmo a dos materialistas russos actuais ficaram presas ao esquema de Kardec, o que prova a validade irrevogável desta. Começando pela observação dos fenómenos físicos, todas as Ciências Psíquicas, nascidas do Espiritismo, fizeram a trajectória fatal traçada pelo génio de Kardec e chegaram às suas mesmas conclusões. As discordâncias interpretativas foram sempre marcadas indelevelmente pelos preconceitos e as precipitações da advertência de Descartes no Discurso do Método e pela sujeição aos interesses das Igrejas, como Kardec já assinalara em seu tempo. A questão da terminologia é puramente supérflua e, como dissera Kardec, serve apenas para provar a leviandade do espírito humano, mesmo dos sábios, sempre mais apegado à forma que ao fundo do problema.
No Espiritismo o quadro fenoménico foi dividido por Kardec em duas seções: Fenómenos Físicos e Fenómenos Inteligentes. Na Metapsíquica, Richet apresentou o esquema de Metapsíquica objectiva e Metapsíquica subjectiva. Na Parapsicologia os fenómenos espíritas passaram a chamar-se Fenómeno Psi, com divisão de Psicapa (objectivos) e Psigama (subjetivos). Quanto aos métodos de pesquisa, Crookes e Richet ativeram-se à metodologia científica da época, e Rhine limitou-se a passar dos métodos qualitativos para os quantitativos, inventando aparelhagens apropriadas aos processos tecnológicos actuais, apelando à estatística como forma de controle e comprovação dos resultados, o que simplesmente corresponde às exigências actuais nas Ciências. Kardec teve a vantagem de haver acentuado enfaticamente a necessidade de adequação do método ao objecto específico da pesquisa. O próprio método hipnótico de regressão da memória, para as pesquisas da reencarnação aplicado por Albert DeRochas do século passado, foi aproveitado pelo Prof. Vladimir Raikov. Na Roménia, o preconceito quanto ao Espiritismo gerou uma nova denominação para Parapsicologia: Psicotrónica. Com esse nome rebarbativo, os materialistas romenos pretendem exorcizar os perigos de renascimento espírita em seu país.
Todos esses factos nos mostram que a Doutrina Espírita não chegou ainda a ser conhecida pelos seus próprios adeptos em todo o mundo. Integrado no processo doutrinário de trabalho e desenvolvimento, o Centro Espírita carecia até agora de um estudo sobre as suas origens, o seu sentido e a sua significação no panorama cultural do nosso tempo. É o que procuramos fazer neste volume, com as nossas deficiências, mas na esperança de que outros estudiosos procurem completar o nosso esforço. Lembrando o Apóstolo Paulo, podemos dizer que os espíritas estão no momento exacto em que precisam desmamar das cabras celestes para se alimentarem de alimentos sólidos. Os que desejam actualizar a Doutrina, devem antes cuidar de se actualizarem nela.
José Herculano Pires In Centro Espirita

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Nuanças Mediúnicas

Obs: acerca das comunicações em outras línguas, sobretudo.

Por muito tempo, dúvidas haviam da realidade das comunicações espirituais. Compreende-se, perfeitamente, que os investigadores pouco lastreados, em suas próprias mensurações, colhessem resultados pouco animadores para não dizermos duvidosos.

As comunicações mediúnicas realizam-se em faixas subjetivas, deixando o nosso terreno intelectivo analítico, de bases objetivas, como sem possibilidades de avaliações. Partindo dessa premissa, as análises das comunicações só poderão ser feitas por indivíduos que possuam vivências no campo psicológico e, principalmente, nos denominados parapsicológicos.

É preciso registrar que as comunicações mediúnicas, de toda natureza, inclusive as realizadas com médiuns exercitados, bem traduzem o conteúdo das mensagens, porém, sempre carregando as "tinturas" do médium ou aparelho receptor.
Isto quer dizer que o Espírito comunicante, ao "refletir-se" no médium, utiliza o que o mesmo possui: se é um médium de arcabouço psicológico evoluído encontrará boas condições para exteriorizar seu pensamento; se o médium apresenta, pelo seu dia-a-dia, pouca evolução, traduzida em reduzidas condições psicológicas, é claro que o comunicante não encontrará elementos específicos a fim de expressar a desejada mensagem.

Tudo isso é bem claro como regra geral, porquanto, em casos especiais, a lógica nos faz pensar que a influência espiritual será de tal ordem, a ponto de suplantar muitas deficiências no médium que não possua certas condições. Os requisitos evolutivos dos médiuns não podem ser analisados e avaliados diante do seu atual arcabouço psicológico, porquanto, muitos deles se encontram em singelas reencarnações intelectuais, embora, possuindo um rico e experiente pretérito. Na recíproca dessas propostas poderemos ter outros tantos ângulos de avaliações. Assim, não será fácil aos avaliadores pouco afeitos a essas pesquisas, compreenderem muitos dos fatos como das inusitadas angulações da mecânica mediúnica.

Através de mais de três décadas de observações pelos campos da mediunidade, acolitado por informações espirituais de variados matizes, concluímos que o Espírito comunicante, nas denominadas incorporações mediúnicas, emite a mensagem com valores de seu pensamento, incluindo o idioma que melhor manipula. Toda essa carga psicológica será como que incrustada, após a aceitação pelo médium, nas malhas vibratórias da zona perispiritual do receptor. Por este modo, haveria um encontro de vibrações entre a vontade-apelo do Espírito e a vontade-resposta do médium, devido a sua vontade-aceitação.

O perispírito do médium, inundado pelas emissões do perispírito da Entidade comunicante, absorve essas correntes superiores de pensamento ( comunicações harmônicas ) com toda a carga que se acham investidas. Desse modo, o perispírito do receptor enriquece-se do referido material e passa a manter a corrente, que sempre existe nos indivíduos, em direção às células físicas. Nestes casos específicos, o perispírito traz, além do que é realmente do espírito do médium, os elementos enxertados pelo perispírito da Entidade comunicante, transferindo toda essa carga para a zona física. O médium adestrado na vivência mediúnica, acaba compreendendo o que é seu e o que é do Espírito comunicante, nos casos da chamada mediunidade consciente. No caso da mediunidade semiconsciente ou inconsciente a distinção torna-se mais difícil.

Realmente, será na zona de transição entre o perispírito e a matéria que esses delicados mecanismos espirituais se expressam. As correntes perispirituais, à medida que se aproximam da zona física, vão modificando o teor de suas energias especificas, possibilitando, nestas transformações, os adequados símbolos que as células nervosas ou neurônios tenham condições de entender e expressar os pensamentos captados. Nesta transmutação, a tela neuronial traduzirá, de acordo com as condições, a carga que o perispírito, já enriquecido pela mensagem, carrega.

Anote-se, como de importância, que a zona perispiritual do médium será a região que manipulará o pensamento do comunicante. Se a comunicação é fornecida por um Espírito que utilizou idioma desconhecido pelo médium, nesta região dar-se-ia a transmutação de linguagem, que será tanto mais ajustada e especifica se o médium possuir experiências pregressas naquele idioma, mesmo desconhecendo no momento presente a língua em pauta.

Tudo isso quer dizer que o delicado mecanismo mediúnico será realizado de modo a que a zona consciente do médium não intervenha; isto é, seria um processo apropriado e manipulado pelos campos internos do psiquismo ( zona espiritual ou inconsciente), onde a zona consciente não possui interferência direta. Pela natural e acertada vontade de realização do fenômeno pelo médium, haveria aberturas e facilidades de passagem da carga mensageira pelos campos terminais do psiquismo, onde as expressões conscientes se mostram na estrutura intelectual.

André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, a respeito da linguagem dos desencarnados, nos fornece os seguintes dados: "Incontestavelmente, a linguagem do Espírito é, acima de tudo, a imagem que exterioriza de si próprio.

"Isso ocorre mesmo no plano físico, em que alguém, sabendo refletir-se, necessitará de poucas palavras para definir a largueza de seus planos e sentimentos, acomodando-se à síntese que lhe angaria maior cabedal de tempo e influência.

"Espíritos desencarnados, em muitos casos, quando controlam as personalidades mediúnicas que lhes oferecem sintonia, operam sobre elas a base das imagens positivas com que as envolvem no transe, compelindo-as a lhes expressar os conceitos.

"Nessas circunstâncias, expressa-se a mensagem pelo sistema de reflexão, em que o médium, embora guardando o córtex encefálico anestesiado por ação magnética do comunicante, lhe recebe os ideogramas e os transmite com as palavras que lhe são próprias."

Até o momento ainda desconhecemos os detalhes desta complexa estruturação que é o fenômeno mediúnico. A fim de compreendermos como o processo se deve dar, é que fizemos a descrição acima, em síntese, como hipótese de entendimento. Este mecanismo estará amparado não só em observações e convivência do fenômeno, como também, pelas informações espirituais criteriosas, apesar de quase sempre reduzidas, coisa de fácil compreensão. Consideremos, também, como de valor, na avaliação da fenomenologia em pauta, as pesquisas realizadas com as regressões de memória.

O nosso trabalho sobre regressão de memória, auxiliado pela hipnose, forneceu bom material para ilações neste campo. Anotamos que alguns daqueles que participam das regressões de memória, em recordando determinada etapa reencarnatória pretérita, falava a língua da época; em raros casos registramos algum arrastado sotaque, devendo-se, esta condição, a atual tela consciente, onde os dados pretéritos tinham dificuldades de se mostrarem integrais em sua origem.Joeirand-se estes pequenos e reduzidos fatores, as forças internas do regredido, isto é, seu bloco energético anímico, mostrava grande parte do passado pelas aberturas que a hipnose determinou na zona consciente.

Trazendo esses fatores para o setor mediúnico, onde, como vimos, existem manipulações das zonas perispirituais em ação - emissor e receptor, Espírito comunicante e médium - vê-se quanto o aparelho receptor elabora elementos para bem traduzir o que o emissor ( Espírito) deseja.

As coisas passam a mostrar maior complexidade, quando o pensamento do comunicante se faz em idioma diferente daquele que o médium está manipulando no seu dia-a-dia de encarnado.

Haverá, assim, nos arcanos do Espírito, zonas e campos onde o pensamento é um só e, à medida que esse bloco de energias vai ganhando a periferia do psiquismo ou zona consciente, vai existindo a necessidade da palavra e organização de frases para a expressão do pensamento. Quanto mais para o psiquismo de profundidade ou zona espiritual o pensamento será como que purificado e representando um único matiz; isto é, o bloco de energias se faz presente e, vibratoriamente, elabora a percepção sem a necessidade da palavra. Quanto mais perto do psiquismo de superfície ou zona material ( zona consciente), mais haverá necessidade das expressões perceptivas de um idioma.

Todas as frases de uma determinada língua possuem a carga de sua própria emoção, na dependência de quem está fazendo a emissão. É como se as palavras tivessem um sustentáculo energético do pensamento elaborado. Assim, as palavras seriam símbolos elaborados, entre a zona espiritual e perispiritual, com finalidade de utilização pela zona consciente, onde se refletem e se mostram. À medida que o ser vai evoluindo, todos esses símbolos, estribados nos variados idiomas e arrecadados nas diversas etapas reencarnatórias, se vão como que ajustando e buscando pontos comuns até se refletirem num idioma universal.

Revista "Presença Espírita".
Jorge Ândrea dos Santos

terça-feira, 3 de junho de 2008

Evangelho no Lar

1. Escolha o dia de sua preferência. Sugerimos um dia de fácil memorização, como, por exemplo, segunda ou sexta-feira.
2. Escolha um aposento silencioso e agradável da casa, de preferência a sala de jantar, e que esteja com os aparelhos eletro-eletrônicos desligados.
3. Coloque uma jarra com água sobre a mesa, para fins de fluidificação. Na falta dessa podem ser utilizados copos, qualquer um, em número correspondente aos integrantes do Evangelho.
4. Sentar-se à mesa sem alarde e sem barulho.
5. Fazer a prece de abertura, a que toque mais fundamente o sentimento familiar. Pode ser uma prece pronta ou uma prece espontânea, o importante é, repetimos, o sentimento da fé e a confiança na Proteção Divina.
6. Após, fazer uma leitura breve de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Comentar com palavras próprias o trecho lido. No início poderá existir certa timidez mas, com o correr do tempo, os comentários surgirão espontaneamente pois que os Espíritos amigos estarão auxiliando na compreensão dos textos selecionados.
7. Os demais integrantes poderão tecer comentários também, caso o desejem, mesmo que estes levem a assuntos pessoais e/ou a diálogos, naturalmente que sempre pertinentes ao tema em foco. O Evangelho no Lar é antes de tudo uma reunião de Espíritos reencarnados no mesmo ambiente, buscando através da prece, da elevação de pensamentos e do diálogo fraterno, o amparo e o auxílio do Mais Alto para seus problemas e necessidades. Não deve ser jamais solene ou ritualístico, com palavras e movimentos decorados a lembrar missas e demais cultos.
8. Para incentivar a participação dos filhos ou demais membros, com exceção do pequeninos, é conveniente pedir que leiam mensagens espíritas, para reflexão do grupo. Incentivar também, com carinho, o comentário após a leitura. Sugerimos aqui mensagens de Emmanuel ou André Luiz, sempre claras e breves, porém de conteúdo precioso e oportuno.
9. Proferir a prece de encerramento e rogar, como exemplo, pela paz, harmonia, saúde e felicidade dos membros da reunião e de todos com os quais convivem. Desejando, rogar também pelos doentes, desamparados e infelizes da Terra. Por último, pedir a bênção de Deus para os familiares desencarnados, sem temor. A lembrança da prece alegra e pacifica os que partiram.
10. É completamente desaconselhável qualquer manifestação mediúnica durante o Evangelho no Lar.
11. Servir, após a prece de encerramento, a água fluidificada.
12. Tempo: o necessário para a família. Sugerimos uma reunião de 15 a 30 minutos. Música: sim, se for do agrado de todos. Sugerimos música instrumental, em volume baixo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

ESPIRITISMO KARDECISTA: ANTECEDENTES DA CODIFICAÇÃO

Todos sabemos que os fenómenos espíritas datam desde os tempos mais antigos da antiguidade e encontram-se disseminados ao longo do tempo e no espaço.
Encontramos fenómenos espíritas tanto nos povos mais selvagens, quanto entre as culturas mais civilizadas e evoluídas, embora estes fenómenos tivessem uma presença mais acentuada em determinadas épocas, assumindo assim um carácter mais definido, como que prenunciando a eclosão de um novo ciclo para a humanidade.
Os fenómenos espíritas que foram acontecendo ou traços de interferência dos espíritos ocorridos desde o inicio da origem do homem, diferem dos antecedentes do espiritismo, dado que uns aconteceram como casos esporádicos, os antecedentes do espiritismo, denotam já se assim lhe podemos chamar “uma invasão espiritual organizada” com determinados objectivos bem definidos, preparando o advento da terceira revelação.
Geralmente a data que se costuma fixar como passo inicial da história do espiritismo, acontece na época das mesas girantes, na França, em simetria com os fenómenos ocorridos a partir de 31 de Março de 1848 em Hidesville, Rochester nos Estados Unidos, através das irmãs Fox.
Encontramos no entanto diversos precursores do Espiritismo, tais como:
Emmanuel Swedenborg
Edward Irving
Fenómenos das comunidades dos Shakers
Adrew Jackson Davis, entre outros.

Um dos pioneiros a anteceder a invasão dos espíritos no mundo físico em que vivemos, foi Emmanuel Swedenborg, médium vidente de grande potencialidade, ele apresentou uma teologia que mais não era do que a verdadeira antevisão dos princípios básicos da doutrina espírita.
Este médium possuía a chamada “vidência à distância” na qual a alma se afasta do corpo momentaneamente e vai buscar informações à distância, regressando com notícias do que ocorreu nesses lugares.
Ele afirmou a pluralidade dos mundos habitados e a inexistência de penas eternas. Para ele, anjos e demónios, eram simplesmente seres humanos que haviam vivido na Terra, respectivamente espíritos evoluídos e espíritos mais atrasados em processo de aprendizagem e evolução.
Edward Irving vive entre 1830 e 1833 uma experiência psíquica ele e os fieis da sua igreja escocesa.
Este pastor protestante, grande estudioso bíblico, desenvolveu num grupo fechado estudos que levam a manifestações internas, acontecendo fenómenos de verdadeira força psíquica actuando no mundo material.
Para além destes incidentes isolados na igreja de Irving, na mesma época surgem fenómenos espíritas nas comunidades dos shackers nos Estados Unidos. Os fenómenos iniciaram-se com os costumeiros sinais de aviso seguidos pela obsessão de quando em quando em toda a comunidade.
Os principais visitantes espirituais eram espíritos de peles vermelhas que vinham em grupo como uma tribo.
Surge então F.W. Evans que juntamente com os seus companheiros se dedica estudar esta perturbação física e mental causada pelos espíritos, chegando à conclusão inesperada de que os espíritos dos índios não tinham vindo ensinar, mas sim aprender.
Estas visitas acontecem durante sete anos, findos os quais os espíritos os deixaram, dizendo que iam, mas que voltariam, e que quando voltassem invadiriam o mundo nas choupanas, quanto nos palácios.
Em 1826, nasce Andrew Jackson Davis, portador de clarividência, que também ouvia vozes que lhe davam bons conselhos.
Ainda não tinha 20 anos quando escreveu um dos livros mais profundos e originais de filosofia produzidos até então, o que prova que não tinha vindo dele mesmo, mas sim que ele mais não era do que um canal, através do qual fluía o conhecimento daquele vasto reservatório espiritual.
As observações de Davis aos que se encontravam na sua presença, pois sua alma podia emancipar-se pela acção magnética.
Davis não se recordava do que via em transe, ficando no entanto tudo registado no seu subconsciente e mais tarde recordava com clareza.
No seu livro “Princípio da Natureza”, prevê o aparecimento do espiritismo como doutrina e prática mediúnica.
Numa casa humilde, alugada em 11 de Dezembro de 1847, vivia a família Fox, família protestante composta pelo casal Fox e suas três filhas menores.
Em 1848 foram surpreendidos por barulhos de arranhadelas, que se identificavam à medida que o tempo passava, as crianças assustavam-se de tal forma que não queriam dormir sozinhas.
Kate uma das crianças do casal, com apenas 11 anos, resolve em 31 de Março de 1848 desafiar o mistério, travando diálogo através de palmas. A cada palma de Kate era dada resposta com uma pancada correspondente. Kate pergunta então se as pancadas eram realizadas por um espírito, e se a resposta fosse afirmativa, deveriam ser dadas duas batidas, a resposta foi afirmativa.
A fim de que a comunicação possa ser mais rápida, decidem utilizar o alfabeto, conseguindo-se vir a descobrir que ali houvera um crime e provando-se a imortalidade da alma.
A publicidade que se formou em torno das irmãs Fox, tem também o mérito de despertar a atenção para o grande número de médiuns que começam então a sair do anonimato e a revelar as suas faculdades, estimulados pelos acontecimentos de Hydesville.
Acontece então assim de forma gradual a anunciada invasão dos espíritos, que se manifestavam em toda a parte pelos mais variados médiuns e nos mais diferentes locais.
Nos fins de 1850 os espíritos sugerem uma nova forma de se comunicarem, em substituição do moroso processo das pancadas. Estes factos apresentados aos olhos de pesquisadores honestos, sugeriam de forma inequívoca a existência do Espírito.
As respostas dos espíritos às questões frívolas dos participantes movidos apenas pela curiosidade do desconhecido, passaram a constituir motivo de grande interesse.
As mesas moviam-se em todos os sentidos, giravam vertiginosamente, ou se elevavam no ar alcançando o teto, produzindo os mais variados movimentos, daí em diante as mesas girantes passaram a constituir a grande atracção dos salões da sociedade parisiense, como se estes fenómenos fossem meros e simples passatempos.
Na realidade observamos aqui uma manifestação do alto, despertando consciências para a imortalidade da alma e para o recebimento do consolador, prometido por Jesus há muitos séculos e consubstanciado no espiritismo, que logo a seguir seria codificado, pois que chegados eram os tempos.
Surge então Hippolyte Léon Denizard Rivail que aos 50 anos era um nome respeitado em França, homem portador de inúmeras qualidades morais e intelectuais.
Grande estudioso dos fenómenos psíquicos, interessa-se de modo especial pelo estudo do magnetismo.
Já ouvira falar das mesas girantes e atribuiu estes fenómenos ao magnetismo impregnado nessas mesas, daí seus movimentos tendo conhecimento da existência de algo inteligente por detrás, admite então a hipótese da actuação do mundo espiritual, resolvendo então investigar a proveniência dos factos.
Assim, ano após ano o professor Rivail trabalha metodicamente na elaboração da codificação da doutrina espírita, adoptando então o nome de Allan Kardec.
Com a expansão da codificação espírita, os fenómenos mediúnicos deixam de despertar a mesma curiosidade de antes, voltando-se então a atenção para a necessidade de elevação moral, ultrapassando assim a fase inicial do fenómeno, abertos os caminhos deixados pelos precursores, iniciando-se então o capítulo moralizante, guiados pelos espíritos que assistem através das possibilidades tecnológicas, surge então através dos estudos sistemáticos desses fenómenos de batidas, das mesas girantes e da transcomunicação toda uma filosofia fundamentada nos princípios cristãos.
É então que Allan Kardec lança o Livro dos Espíritos, pilar fundamental da doutrina espírita, surgindo inicialmente com o nome de “Filosofia Espiritualista”, pelo que se torna emergente questionarmo-nos acerca de qual a relação entre Espiritismo e Espiritualismo e porque se apresenta como uma filosofia.
Ao codificar a Doutrina Espírita, Allan Kardec cria os vocábulos Espiritismo e Espírita, totalmente diferentes de espiritualismo e espiritual, a fim de existir uma maior clareza e precisão de conceitos.
Assim, convém frisarmos que devemos compreender por espiritualismo toda a doutrina filosófica, segundo a qual o espírito constitui a substância de toda a realidade, tendo por base a existência de Deus e da alma.
Espiritualismo, opõe-se ao materialismo, para o qual a única substância existente é a matéria. Neste aspecto o espiritismo identifica-se com espiritualismo, indo no entanto mais além, na medida em que acrescenta vários princípios básicos:
1º A possibilidade de comunicação com o mundo espiritual.
2º A pluralidade das existências;
3º Pré- Existência e imortalidade da alma
4º Justiça natural
5º Progresso infinito do espírito
Assim em síntese, o livro dos Espíritos, representa uma das fases do espiritualismo, contendo como especifidade a doutrina espírita.
Contudo, embora represente uma face do espiritualismo, cumpre-nos esclarecer que o espiritismo difere de toda e qualquer ramificação espiritualista religiosa, uma vez que não possui dogmas, fundamentando-se antes na razão e nos factos, pelo que a doutrina é considerada uma doutrina tríplice, já que se estrutura em Ciência, filosofia e Religião.
A doutrina espírita baseia-se no método experimental, organizando as ideias sistematicamente partindo sempre dos factos, dos fenómenos mediúnicos e das manifestações em geral, assim sendo, podemos considerar a doutrina espírita como sendo uma ciência.
Por outro lado, também podemos considerar a doutrina espírita como sendo uma filosofia, já que a sua temática abrange conhecimentos que estão para além da experiência sensível, tais como: A existência de Deus, os princípios constitutivos do Universo (causas Primárias), as leis morais, utilizando para tanto o método racional como instrumento seguro.
Podemos ainda compreender a doutrina espírita como sendo uma religião, uma vez em que o seu fim último consiste na restauração do evangelho e na prática dos princípios cristãos, não se valendo contudo de formalismos exteriores, de práticas sagradas, rituais ou técnicas colectivas, mas sim a busca da religiosidade na intimidade afectiva de cada um, partindo de uma atitude interior consciente.
Estes três aspectos encontram-se bem definidos na codificação de Allan Kardec, respectivamente em: “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e em “O Livro dos Médiuns”
A doutrina espírita será sempre um campo de investigação humana nos seus aspectos científicos e filosóficos, no entanto no aspecto religioso, repousa a sua grandeza divina ao constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem para a grandeza do seu imenso futuro espiritual.

Bibliografia:
ALLAN KARDEC- O Livro dos Espíritos – Introdução, itens I e VII
ARTHUR CONAN DOYLE- História do Espiritismo
ZEUS WANTUIL e FRANCISCO THIESEN – Allan Kardec
EMMANUEL- A Caminho da Luz
ALLAN KARDEC- A Génese Cap. I
ALLAN KARDEC- O que é Espiritismo

Face a este texto, tente responder às questões seguintes:
1º- Tente descrever os fenómenos dos Shackers e o ocorrido com a familia Fox.
2º- Qual a relação do fenómeno das mesas girantes com o advento da doutrina Espirita?
3º Qual a relação entre espiritismo e espiritualismo?
4º Sob que aspecto a doutrina espirita é uma ciência?

domingo, 4 de maio de 2008

O mundo espiritual

Esferas Espirituais
Consideram-se as esferas espirituais as diversas subdivisões vibratórias do Mundo dos Espíritos. Estas estão para a vida extra- física assim como os continentes e os países estão para o mundo físico.
Os antigos já aceitavam a ideia da existência de muitos céus sobre- postos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra como centro.
Essa ideia, que foi a de todas as teogonias, faziam do céu os diversos degraus da bem aventurança; o último deles era abrigo da suprema felicidade.
Segundo a opinião mais comum, existiam sete céus, daí a expressão tão comum de “estar no sétimo céu” - para exprimir a perfeita felicidade. Os muçulmanos admitem a existência de nove céus, em cada um dos quais se aumenta a felicidade dos crentes. A teologia cristã reconhece três céus; é conforme esta crença que se diz que Paulo foi alçado ao terceiro céu.
A obra de Kardec, pelo facto de ser muito mais de síntese do que de análise, ocupou-se pouco com o exame do Mundo dos Espíritos. Estudando as diversas obras do Codificador, notamos que os Espíritos foram muito parcos em informações a respeito do seu mundo.
Foi a partir de 1943, com o livro [Nosso Lar], de autoria mediúnica do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, que nós passámos a compreender, com maior profundidade, as regiões extra- físicas.
Sabe-se hoje, que o mundo dos Espíritos se encontra sub-dividido em várias faixas vibratórias concêntricas, tendo a Terra como o centro geométrico. A atmosfera espiritual das diversas esferas será tanto mais pura e eterizada quanto mais afastadas da crosta se encontrar.
Os Espíritos de maior luminosidade habitarão, naturalmente, as esferas mais afastadas, embora tenham livre trânsito entre elas e com frequência visitem as esferas inferiores em tarefas regenerativas e esclarecedoras. Em cada esfera, o solo tem consistência material, e acima vê-se o céu e o sol. Diversas cidadelas espirituais, postos de socorro, ou instituições hospitalares estão distribuídas nas diversas esferas, abrigando Espíritos em condições evolutivas semelhantes.
André Luiz dá o nome de Umbral às três primeiras esferas, contadas a partir da crosta, e segundo este autor, a região umbralina é habitada por Espíritos que ainda necessitam reencarnarem no planeta Terra, comprometidos que estão com vida nesta orbe.
Sobre o umbral, André Luiz [Nosso Lar] dá-nos o seguinte depoimento:
"É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram atravessar as portas dos deveres sagrados, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Funciona como região
de esgotamento de resíduos mentais. Pelo pensamento os homens encontram no Umbral os companheiros que se afinam com as tendências de cada um. Cada Espírito permanece lá o tempo que se faça necessário."
Informa-nos também André Luiz que os Espíritos que estão nas esferas superiores podem transitar pelas esferas que lhes estão abaixo, mas os Espíritos que estão nas esferas inferiores não podem, sozinhos, passar para as superiores.

As Colónias Espirituais
Os livros de André Luiz dão-nos informações detalhadas a respeito da vida nas três primeiras esferas espirituais. Segundo ele, estas faixas vibratórias são formadas de inúmeras cidadelas espirituais, umas maiores, outras menores, onde se reúnem Espíritos em condições evolutivas semelhantes.
As condições de sociabilidade das esferas mais purificadas são para nós ainda totalmente desconhecidas, no entanto, a vida nas regiões mais próximas da crosta desenvolvem-se de maneira semelhante:

Habitação:
Há semelhança com a que existe na Terra. No plano extra- físico vamos identificar casas, hospitais, escolas, templos, etc.
Ernesto Bozzano em [A Crise da Morte] afirma que a paisagem astral é composta de duas séries de objectivações do pensamento. A primeira é permanente e imutável, por ser objectivação do pensamento e da vontade de entidades espirituais muito elevadas, pré- postas os governo das esferas espirituais. A outra é, ao contrário, transitória e muito mutável; seria a objectivação do pensamento de cada entidade desencarnada, criadora do seu próprio meio imediato.
Examinando o pensamento deste autor, podemos aceitar que as construções das
colónias espirituais se enquadram na primeira série, enquanto a paisagem das
regiões umbralinas pertencem à segunda;

Vestuário:
a apresentação externa dos Espíritos depende da sua força mental e do seu desejo, pois eles são capazes de modificarem a sua aparência através de um processo denominado ideoplastia.
Nem todos os Espíritos, no entanto, têm uma condição evolutiva suficiente para poderem plasmar as suas vestes perispirituais, daí a necessidade de roupas confeccionadas por especialistas na área. André Luiz [Nosso Lar] mostra-nos departamentos reservados a esta tarefa;

 Alimentação:
Nem todos os Espíritos são capazes de retirar do Fluido Cósmico Universal a energia reparadora para as suas células, daí a necessidade dos Espíritos ainda materializados, se alimentarem de recursos energéticos mais consistentes. Por este motivo, observam-se no mundo espiritual alimentos à base de sumos, sopas e frutas;


Sono e Repouso:
Quanto mais evoluído for o Espírito, menos necessita de repouso, para reparar as suas energias. Espíritos inferiores dormem à semelhança do homem encarnado;

Transporte:

Os Espíritos superiores deslocam-se através de um processo denominado volitação, onde transformam a sua energia latente em energia cinética, deslocando-se no espaço em altas velocidades. No entanto, Espíritos existem, que ainda não desenvolveram esta faculdade, daí a necessidade de veículos para transporte nas faixas espirituais mais próximas da Terra;

Linguagem:
A linguagem oficial entre os Espíritos é a do pensamento. No entanto, muitas almas ainda involuídas, não conseguem comunicar-se através do pensamento, daí a necessidade da palavra articulada.
Assim sendo, vamos observar colónias onde se fala o português, o inglês, etc.;

Vida Social:
A vida social nas colónias espirituais é intensa e tem como objectivo a preparação dos Espíritos para o seu retorno à Terra numa nova roupagem física, ou seja reencarnarem de novo com um outro corpo físico.
Estudam, trabalham, repousam e divertem-se. Há relatos de casamento, festas e jogos, segundo hábitos e costumes da colónia. O Maria João de Deus [Cartas de Uma Morta] afirma:
"Os saxões, os latinos, os árabes, os orientais, os africanos, formam aqui grandes falanges à parte, e em locais diferentes uns dos outros. Nos núcleos das suas actividades conservam os costumes que os caracterizavam e é profundamente interessante verificar como essas colónias diferem umas das outras."
Manoel Philomeno de Miranda [Loucura e Obsessão] lembra-nos:
"Católicos, protestantes e outros religiosos após a morte, não se tornam espíritas ou conhecedores da realidade ultra- tumular; ao revés, dão curso aos seus credos, reunindo-se em grupos e igrejas afins."
Cabe-nos lembrar que nem todas as cidadelas espirituais têm uma orientação
sádia, voltada para o bem e para o equilíbrio das criaturas. André Luiz [Libertação] diz:
"Incapacitados de prosseguir, além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colónias de ódio e miséria moral, disputando entre si a dominação da Terra."
Mas lembra também o benfeitor que, a Misericórdia Divina não os desampara pois, que são observados e assistidos continuamente por entidades luminosas;

Animais e Plantas:
O solo do mundo espiritual, à semelhança do solo do planeta é coberto por uma infinidade de plantas, flores e hortaliças que são cultivadas, com muito esmero, por mãos bondosas.
Os animais, como regra geral, reencarnam quase imediatamente após a morte, no entanto, em certas ocasiões, eles podem vir a ser preparados por entidades especializadas para serem utilizados em tarefas específicas.
Muitas vezes, no entanto, as descrições da paisagem espiritual, quando falam de
"formas animalescas", estão se referindo a Espíritos humanos em processo de deterioração dos seus corpos espirituais (licantropia ou zoantropia), como também de "formas ideoplásticas", fruto do pensamento e da vontade de entidades viciosas do astral inferior.

O Homem após a Morte
Lembra-nos Kardec que "após a morte, cada um vai para o lugar que lhe interessa", pois cada individualidade vai deslocar-se, após o desencarne, para a região espiritual que está em concordância com o seu modo de ser e viver. E complementa [ESE]:
"Enquanto uns, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os felizes gozam de uma luz resplandecente."
De forma didáctica, podemos sistematizar as opções do homem após a morte física em três situações:
a) Continuar Vivendo na Crosta: são Espíritos excessivamente apegados à vida física e que não conseguem assumir a sua condição de desencarnados, continuando a viver nos locais onde se habituaram, às vezes sem ao menos se darem conta de que já não mais pertencem ao mundo material.

Alguns factores que podem condicionar a este apego a vida material:
•ignorância, confusão e medo;
•apegos excessivos a pessoas e lugares;
•inclinações pelas drogas, álcool, fumo, comida e sexo;
•vinculação a negócios não concluídos;
•desejo de vingança.

b) Deslocarem-se para certas regiões do Umbral: muitos Espíritos culpados ou viciosos, após o desencarne, são levados por uma força magnética automática ou por entidades do mal, para uma das regiões umbralinas e lá permanecerão até que o arrependimento e a vontade de reparar o passado modifique a sua psicosfera pessoal;
c) Recolhimento a uma Colónia Espiritual onde deverão integrar-se à Vida Extra- Física.


Bibliografia
a) Coleção Nosso Lar (16 obras) - André Luiz/Chico Xavier
b) Cartas de Uma Morta - Maria João de Deus/Chico Xavier
c) Voltei - Irmão Jacob/Chico Xavier
d) A Vida Além da Morte - Otília Gonçalves/Divaldo Franco
e) Cidade no Além - Heigorina Cunha
f) Loucura e Obsessão - Manoel Philomeno de Mirtanda/Divaldo Franco

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ROTA DO ESPÍRITA

Erguer-se de manhã e bendizer a vida.

Espalhar ao redor a presença do bem.

Escutar calmamente as notícias da hora.

Dar a palavra amiga. Ajudar conversando.

Dispor o coração a servir sem perguntas.

Fazer mais que o dever na tarefa em que esteja.

Suportar sem revolta as provações em curso.

Apagar a discórdia e liquidar problemas.

Estudar e entender. Discernir e elevar.

Render culto à Verdade entre bênçãos de amor.

Ver o direito alheio e respeitá-lo em tudo.

Ser fiel ao trabalho e esquecer as ofensas.

Amar fraternalmente a todas as criaturas.

Acender cada noite as estrelas da paz no abrigo da consciência em preces de alegria.

- Eis a rota ideal na jornada constante do espírita-cristão, à luz de cada dia.





pelo Espírito Albino Teixeira - Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 17-11-65, em Uberaba, Minas. Fonte: Reformador _ fevereiro, 1966.

sábado, 5 de abril de 2008

Os elementos gerais do universo: Espírito e Matéria

O Espírito
Allan Kardec [Livro dos Espíritos -questão 27] nos informa que todas as coisas que existem no universo podem ser sintetizadas em três elementos fundamentais, a que ele deu o nome de Trindade Universal.
Esses elementos são:
Deus;
Espírito;
Matéria
;
Assim, o espírito, na definição da Doutrina Espírita, é o princípio inteligente do universo, individualizado, com moralidade própria. O espírito é distinto de Deus, seu criador, e da matéria, à qual se une para se poder manifestar.

A Matéria
Define-se matéria, como sendo tudo o que tem massa e que ocupa lugar no espaço. De acordo com este conceito, tudo aquilo que pode ser pesado, medido, etc., é considerado matéria. Existem outros elementos a considerar, porém, como o som, a luz, o calor. Estes são denominados energia.
Habitualmente, costuma-se afirmar que a energia é a capacidade que os corpos possuem para produzir um trabalho ou desenvolver uma força. Sabe-se que a energia não pode ser "criada" e nem "destruída", mas sim transformada. Toda a forma de energia que existe no Universo é a transformação de uma outra anterior.
Partindo da Teoria da Relatividade de Einstein tem-se observado que, na realidade, matéria e energia estão directamente relacionadas.
A matéria é a energia condensada e a energia uma forma de apresentação da matéria.
Na definição da doutrina espírita matéria é "tudo sobre o qual o espírito exerce a sua acção". André Luiz no livro [Mecanismos da Mediunidade] referindo-se ao tema diz-nos:
“A matéria é energia tornada visível e toda energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da criação."

Tipos de matéria
Ponderável
É a matéria física, que preenche o mundo dos encarnados e dá origem aos corpos e elementos.
Imponderável
Também denominada matéria psi (Hernani Guimarães Andrade), matéria mental (André Luiz) ou matéria quintessenciada (Allan Kardec), é a matéria do mundo espiritual, num tónus vibratório mais elevado.
Fluido Cósmico Universal (FCU)
Também chamado fluido universal, exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita. Podemos entender o FCU como sendo a matéria- energia elementar primitiva, dispersa por todos os cantos do Universo. Uma matéria extremamente subtil, cujas modificações e transformações vão constituir a inumerável variedade dos corpos da natureza.
André Luiz no livro [Evolução em Dois Mundos] afirma que:
“O Fluido Cósmico é o plama divino, hausto do Criador, força nervosa do Todo- Sábio. Nesse elemento primordial vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano. O Fluido Cósmico é a força em que todos vivemos, nos diversos ângulos variados da Natureza.”

Os Fluidos
Segundo a Física, fluidos são corpos cujas moléculas cedem à mínima pressão, movendo-se entre si com facilidade e separando-se quando entregues a si mesmos.
Na Doutrina Espírita os fluidos têm o mesmo sentido de matéria. Os fluidos podem variar o seu estado desde a eterização até à materialização. É comum a utilização da expressão fluidos espirituais para designar a matéria imponderável, embora segundo Allan Kardec veja-se o livro [Génesis- capítulo XIV] esta denominação não seja exacta.
Todo um processo dinâmico e complexo envolve a formação dos fluidos espirituais. Ao ser absorvido pelo Espírito, o Fluido Cósmico será manipulado na mente. A mente humana é então um brilhante laboratório de forças subtis, onde o Pensamento e a Vontade estarão aglutinando as partículas do Fluido Cósmico e dando a elas características próprias. André Luiz designa por raio da emoção ou raio do desejo a essa força que opera a transformação do Fluido Universal.
Os fluidos, desta forma, possuem várias características. A sua pureza varia ao infinito, dependendo da evolução moral do Espírito que os produziram. Possuem também propriedades, tais como odor, coloração e temperatura. Sob o ponto de vista físico, podem ser vivificantes, calmantes, anestesiantes, curativos, alimentícios, soníferos, enfermiços, etc.

Origem, Natureza e Forma dos Espíritos: Perispírito

Segundo a visão materialista somos tão somente o corpo com que vivemos neste mundo. Ora, tudo indica - e a análise química o comprova - que o nosso corpo é formado exclusivamente de matéria, como os demais corpos da natureza.
Mas uma análise mais consciente e uma observação mais profunda mostram-nos que no homem existe mais do que apenas matéria. O homem pensa e tem consciência plena da sua existência; relaciona ideias, estabelece conceitos, elabora juízos, constrói raciocínios, tira conclusões, e, servindo-se de um instrumento maravilhoso, que é a linguagem, comunica tudo isto aos seus semelhantes. Nada que a isto sequer se
pareça ocorre no mineral ou num monte de matéria inanimada.
A matéria por si mesma não pensa; então lógico será pensar que, existe em nós, além do corpo material, algo mais, que é o agente do nosso pensamento, e que se chama alma ou espírito.
Esse raciocínio, perfeitamente lógico e conforme a mais pura razão humana, deveria ser suficiente para que nenhuma dúvida existisse no homem a respeito de que nele vive essencialmente um espírito.
No entanto, muitos há que não crêem na realidade da própria existência, em si como Espírito imortal.
Então Deus, na sua infinita bondade e amor, concedeu ao homem, com as manifestações espíritas, as provas cabais de que no ser humano vive um espírito, que pré- existe ao corpo e sobrevive à morte física.

O Espírito
No Livro dos Espíritos -questão 76 os Espíritos são definidos como sendo “os seres inteligentes da Criação”. São criados por Deus permanentemente, e, na sua essência, apresentam-se como “uma chama, um clarão ou centelha
etérea” Livro dos Espíritos -questão 88. Os Espíritos são eternos e indestrutíveis, mantendo sempre a sua individualidade.
Quanto à natureza íntima dos Espíritos podemos compreender que a inteligência é o seu atributo essencial.
Todos são criados iguais, “simples e ignorantes” e dotados de faculdades a serem desenvolvidas através das experiências reencarnatórias.
Em a Génese Allan Kardec externa mais claramente o seu pensamento evolucionista, afirmando que "O espírito não chega a receber a iluminação divina, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores."
Quanto à sua apresentação exterior, o espírito propriamente dito não a tem, pois que é imaterial, mas no entanto encontra-se revestido, sempre, de um corpo energético, fluídico, que Kardec denominou de perispírito. O perispírito dará forma ao espírito, permitindo assim a sua identificação.

O Perispírito
Estudando as religiões e filosofias vê-se que muitos homens procuraram um elemento energético que pudesse servir de união entre o corpo físico e o espírito, numa harmónica graduação vibratória.

Por exemplo:
No Egipto acreditava-se na existência de um corpo chamado KA. Na Índia, denominavam de "Linga Sharira".
Os filósofos gregos chamavam-no de "Veículo Leve", "Corpo Luminoso" e "carro subtil da alma". Para Leibnitz, chamava-se "corpo fluídico" e para Paulo de Tarso, "Corpo Espiritual".
No exame das suas principais características, o perispírito deve-se analisar sob os seguintes aspectos:

Função: quando encarnado, é o intermediário entre o espírito e o corpo somático, tendo como função transmitir as sensações do corpo para o espírito e as impressões do espírito para o corpo. É ainda o "campo modelador da forma", pois, durante a gestação, será o perispírito o responsável pela estruturação do embrião, através de um campo magnético criado por ele. No Espírito desencarnado o perispírito corresponde ao seu envoltório, possuindo na sua estrutura eléctro- magnética órgãos e sistemas celulares à semelhança do corpo físico;

Forma: geralmente a forma do perispírito corresponde à aparência do corpo somático. Ao desencarnarmos, o corpo espiritual, na maioria das vezes, mantém a forma que tinha quando encarnado, no
entanto, muitos Espíritos encontram-se aptos a promoverem transformações na sua organização perispiritual, podendo assumir uma aparência de encarnações anteriores;

Densidade:
a densidade do perispírito é rarefeita nos Espíritos já evoluídos e pastosa ou opaca nos Espíritos ainda imperfeitos;

Coloração: o perispírito não se encontra preso no corpo como se estivesse dentro de uma caixa; ele irradia-se e projecta-se além do corpo físico, formando a Aura. Esta estrutura vai assumir colorações diferentes em função do estágio evolutivo do indivíduo. Brilhante e luminosa nos Espíritos superiores e sem
nenhum brilho, sem luminosidade e sem beleza nas entidades que se encontram ainda muito materializadas;

Centros de Força: o perispírito é constituído de vários centros energéticos que concentram e coordenam a assimilação e distribuição de energias. São denominados de chacras ou centros de força.
Segundo André Luiz no livro Missionários da Luz, Evolução em Dois Mundos os principais chacras são:
Coronário (alto da cabeça);
Cerebral (na fronte);
Laríngeo (pescoço);
Cardíaco (no peito);
Gástrico (abdómen);
Esplénico (região do baço);
Genésico (sobre o aparelho genital);

Bibliografia e referências

a) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
b) A Génese - Allan Kardec
c) Mecanismos da Mediunidade - André Luiz/Chico Xavier
d) Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier - Waldo Vieira
e) Psi Quântico - Hernani Guimarães Andrade
f) Espírito, Perispírito e Alma - Hernani Guimarães Andrade
g) Psicologia Espírita - Jorge Andréa
h) Obras Póstumas - Allan Kardec
i) Missionários da Luz - André Luiz/Chico Xavier